David Bowie e os anos berlinenses

David Bowie chegou a Berlim em 1976 quase em fuga. Esgotado pela fama, pelas drogas e pelo personagem Ziggy Stardust que havia criado, ele precisava desaparecer. E Berlim, dividida, cinza, ainda cicatrizada pela guerra, era o lugar perfeito para isso.

Ele se instalou num apartamento simples no bairro de Schöneberg, o mesmo bairro onde Marlene Dietrich havia nascido décadas antes. Andava de bicicleta, frequentava museus, tomava café em bares sem ser reconhecido. Para um dos maiores astros do rock, era uma liberdade quase esquecida.

Foi nesse período que nasceu a chamada Trilogia de Berlim, três álbuns gravados em parceria com Brian Eno que mudaram a história da música: Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1979). O mais icônico deles, Heroes, foi inspirado por um casal que Bowie viu se beijando à sombra do Muro de Berlim, um momento de amor num dos lugares mais vigiados do mundo.

A música Heroes se tornou um hino, não apenas para Berlim, mas para toda uma geração que acreditava que mesmo por um dia, mesmo sob pressão, era possível ser extraordinário.

Bowie deixou Berlim em 1978, mas a cidade nunca o deixou. Quando o Muro caiu em 1989, os berlinenses cantaram Heroes nas ruas. E quando ele morreu em 2016, flores foram depositadas em frente ao seu antigo apartamento na Hauptstraße 155, em Schöneberg, que hoje tem uma placa em sua homenagem.

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